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7 de abril de 2010

Uruguai - Punta Del Este - 5109km

 

Uruguai - Punta del Este


















O verão de 2010 em Punta del Este guardava uma luz dourada que parecia feita sob medida para o brilho metálico da Dahon Curve. Enquanto os carros de luxo e SUVs importados se aglomeravam nos engarrafamentos da Avenida Gorlero, a pequena notável de rodas 16 polegadas deslizava com uma agilidade quase insolente entre o tráfego e a brisa marinha. Viajar com uma bicicleta dobrável naquele cenário era mais que um transporte; era um passe livre para a liberdade em uma das cidades mais exclusivas da América do Sul.

A jornada começava cedo, quando o orvalho ainda cobria os bancos da Rambla. Cruzar a península sobre a Dahon era um exercício de contemplação. Ali, na ponta extrema onde o Rio da Prata se rende oficialmente ao Oceano Atlântico, existe a famosa rua onde, para qualquer lado que se olhe, o horizonte é mar. Pedalar por esse estreito corredor de asfalto era sentir-se em um navio em terra firme, com o azul cercando a visão e o som das ondas ditando o ritmo das pedaladas curtas, mas constantes, da pequena dobrável.

A primeira parada obrigatória era a escultura "La Mano", na Playa Brava. No verão de 2010, os dedos de concreto que emergem da areia já eram o ícone máximo da cidade. Estacionar a Curve ao lado dos dedos monumentais rendia um contraste visual fascinante: a engenhosidade compacta da bicicleta frente à imensidão da obra de Mario Irarrázabal. A areia fina da Brava tentava desafiar os pneus estreitos da Dahon, mas o calçadão logo à frente garantia o fluxo perfeito em direção ao Porto.

No Porto de Punta, a vida fervilhava. Entre os iates e os lobos-marinhos que esperavam restos de peixe, a bicicleta era dobrada em segundos para que pudéssemos embarcar rumo à Ilha Goriti. Levar a Dahon no barco era simples; ela ocupava o espaço de uma mala de mão, mas, ao desembarcar na ilha, transformava-se novamente em exploração pura. Percorrer as trilhas de pinheiros da Goriti sobre duas rodas permitia alcançar as praias mais desertas, como a Playa Honda, longe do burburinho dos turistas que ficavam apenas perto do cais.

De volta ao continente, o estômago reclamava o combustível necessário para o restante do dia. A gastronomia uruguaia em 2010 já era um capítulo à parte na viagem. Sentar-se em um restaurante de frente para o porto e pedir um Chivito Completo era o ritual sagrado de recuperação. Aquele sanduíche monumental, transbordando filé mignon, presunto, queijo, ovo, bacon e azeitonas, era o oposto da leveza da bicicleta, mas o equilíbrio perfeito para quem queimava calorias sob o sol do Uruguai.

Para as tardes mais quentes, nada superava os frutos do mar. Uma porção de Mini-bis de peixe (pequenos peixinhos fritos) ou um clássico Arroz com Mariscos acompanhado de um vinho branco gelado preparavam o espírito para o desafio final do dia: a subida em direção à Punta Ballena. A Dahon Curve, com seu sistema de marchas interno, enfrentava as inclinações moderadas com uma valentia surpreendente, provando que tamanho não é documento quando a engenharia é bem feita.

O destino final era sempre Casapueblo. Chegar à obra-prima de Carlos Páez Vilaró no momento exato do "Cerimonial do Sol" era uma experiência mística. A bicicleta descansava encostada nas paredes brancas e arredondadas que lembram as casas de Santorini, enquanto a voz gravada do artista recitava seu poema ao sol que se despedia. O sol mergulhava no mar, tingindo o branco da casa de laranja e rosa, e a sensação era de que o tempo havia parado naqueles primeiros dias da década de 2010.

O retorno para o centro de Punta era feito sob o céu estrelado, com a iluminação da península servindo de guia. No caminho, ainda havia espaço para uma parada em uma confeitaria para um Postre Chajá ou um churros recheado com o incomparável doce de leite uruguaio. A doçura do merengue e do pêssego selavam o paladar, enquanto as rodas de 16 polegadas giravam incansáveis de volta à hospedagem.

Punta del Este, com suas ciclovias ainda tímidas mas seu respeito natural pelo lazer, acolhia a dobrável como um acessório de vanguarda. Não era apenas sobre ir de um ponto A ao B; era sobre a capacidade de dobrar o mundo, colocar a viagem debaixo do braço e entrar em um café ou em um museu sem preocupações. Naquele verão, entre o luxo de La Barra e a tranquilidade de Jose Ignacio, a Dahon Curve não foi apenas uma bicicleta, mas a extensão de um olhar curioso sobre um Uruguai que sabe, como ninguém, celebrar a vida ao ar livre.


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