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23 de março de 2014

Peru - Desaguadero (Lago Titicaca) - 6541km

Peru - A mistura dos descendentes da cultura Maia, Incas e
Colonizadores Espanhóis... muito lindo o país!

Poeira do deserto invade as pequenas cidades

Salgados, Salteñas...

Mocochinche - Suco de Pêssego

Piso que testou minha força de vontade durante o trajeto...

Ruas tranquilas e gente muito simples

Bicicleta Dobrável + Alforge Traseiro + Mochila + Camping

Feirinha ao Ar Livre



Lago Titicaca










Exposição Cultura Latino-Americana
Maias e Incas






















Carta Aberta



Começo - Puerto Quijarro-BO
Final - Tripartito-CH
Distância Parcial - 3061km
Distância Total - 6541km (ônibus + carona bicicleta)
Bicicleta - Bicicleta Dobrável Porto Seguro 16"

São Paulo-BR >>> Campo Grande-BR
995km - ônibus (R$182,00 / Motta Express *** 24 horas)

Campo Grande-BR >>> Puerto Quijarro-BO
426km - Carona com Caminhoneiro

Puerto Quijarro-BO >>> La Paz-BO
1530km - Carona com Caminhoneiro

La Paz-BO >>> Desaguadero-Lago Titicaca-PE
110km - bicicleta

Desaguadero-Lago Titicaca-PE >>> Tripartito-CH
220km - bicicleta

Tripartito-CH >>> La Paz-BO
330km - ônibus

La Paz-BO >>> São Paulo-BR
2930km - ônibus (R$440,00 / Viação La Preferida *** 72 horas)


Total: 6541km
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Ônibus: 4255km
Carona: 1956km
Bicicleta: 330km


Pedalar com uma bicicleta dobrável de aro 16 pelas margens do Lago Titicaca, no trecho peruano que liga Puno à cidade fronteiriça de Desaguadero, é uma jornada que desafia a percepção de escala e resistência. Estamos falando de um dos trajetos mais altos do mundo, onde a estrada serpenteia a mais de 3.800 metros de altitude, em um Altiplano que parece não ter fim. Sobre as rodas pequenas da dobrável aro 16 cada quilômetro é uma conquista contra o ar rarefeito e o vento gélido que sopra das águas sagradas dos Incas. O Titicaca não é apenas um lago; é um oceano interior, uma massa de água tão vasta que distorce o horizonte e faz a pequena bicicleta parecer um inseto metálico navegando em um deserto de azuis e dourados.

A saída de Puno é um exercício de paciência. A cidade se agarra às encostas, e as ladeiras iniciais exigem que as marchas da dobrável trabalhem em sua capacidade máxima. À medida que se ganha a estrada rumo ao sul, em direção a Desaguadero, a topografia se estabiliza em um planalto ondulado, mas a altitude permanece como uma parede invisível. O soroche, ou mal de altitude, é um companheiro constante. A respiração torna-se curta e o ritmo da pedalada precisa ser cirúrgico. Se você tenta imprimir a velocidade de uma bicicleta de estrada, o corpo protesta imediatamente. O segredo na aro 16 é a cadência: giros rápidos e leves, mantendo o coração estável enquanto os pneus estreitos buscam tração no asfalto rústico da Ruta 3S.

A geografia desse trecho é de uma beleza severa. De um lado, a imensidão do lago, com suas totoras verde-amareladas onde os pescadores locais navegam em balsas ancestrais. Do outro, montanhas de terra avermelhada e pastagens secas onde rebanhos de alpacas e lhamas observam a passagem da bicicleta com uma curiosidade indiferente. O isolamento geográfico é palpável. As distâncias entre os povoados parecem maiores sob o sol forte do Altiplano, que queima a pele apesar do frio constante. Pedalar aqui é sentir a solidão do topo do mundo, interrompida apenas pelo som do vento nos raios das rodas minúsculas.

Pelo caminho, atravessa-se cidades carregadas de história e mistério, como Chucuito e Juli. Juli, conhecida como a "Roma das Índias", impressiona com suas igrejas coloniais desproporcionalmente grandes para o tamanho atual da vila. Estacionar a Dahon Curve diante de portais jesuítas esculpidos em pedra é um contraste fascinante entre a tecnologia de mobilidade urbana moderna e o legado barroco do século XVII. Mais adiante, encontra-se Ilave, com sua ponte imensa e seu mercado vibrante, onde o ciclista é recebido com olhares de surpresa. "De onde vem essa pequena máquina?", parecem perguntar os rostos marcados pelo clima severo da montanha.

A gastronomia peruana da região serrana é o que mantém o ciclista em movimento. Diferente da cozinha sofisticada de Lima, aqui o foco é a caloria pura e o conforto térmico. O prato típico por excelência é a Trucha Frita (truta frita), pescada diretamente das águas frias do Titicaca, servida com batatas e arroz. Outra iguaria fundamental é o Caldo de Carachi, uma sopa de peixe pequeno e espinhoso do lago, que os locais garantem ser o melhor remédio contra o cansaço e o frio. Surpreende a variedade de nomes: o que chamamos de batata, aqui é a papa, mas existe o chuño, a batata desidratada pelo gelo que tem um sabor terroso e textura única, essencial para aguentar as longas jornadas de pedal.

O consumo de líquidos é vital. O mate de coca é onipresente e obrigatório para dilatar os vasos sanguíneos e combater o mal de altitude. Nas feiras de beira de estrada, descobre-se o suco de quinoa e a chicha morada, feita de milho roxo, que fornecem o açúcar necessário para os músculos. As frutas também guardam nomes diferentes: o que chamamos de maracujá pode ser a granadilla, com seu interior doce e cheio de sementes, perfeita para um lanche rápido sem precisar descer da bike. O vocabulário em espanhol torna-se parte do equipamento de viagem, uma ferramenta para negociar um prato de chicharrón de alpaca em uma venda de esquina.

A rede cicloviária nesta parte do Peru é inexistente no sentido formal, mas a estrada é o palco de todos. O acostamento, quando existe, é compartilhado com pastores e caminhões que fazem a rota comercial entre os países. No entanto, a agilidade da aro 16 permite navegar pelas margens com uma facilidade que bicicletas maiores não teriam, especialmente ao entrar nas ruas numeradas e estreitas dos bairros comerciais das cidades fronteiriças. Há uma sensação de evolução constante no asfalto peruano, com obras que tentam conectar melhor essas regiões isoladas ao restante do país.

Finalmente, a chegada a Desaguadero é um choque sensorial. A cidade é um caos organizado de comércio transfronteiriço, dividida entre o Peru e a Bolívia por uma ponte sobre o rio que leva o mesmo nome. É o ponto final de uma jornada de altitude. Ali, no meio de trufis, caminhões carregados e feiras ao ar livre que vendem de tudo, a Dahon Curve mostra sua maior vantagem: basta um clique, um movimento de dobradiça, e a bicicleta desaparece, transformando-se em um pacote compacto que pode ser levado para dentro de um restaurante ou de uma van de transporte.

Pedalar de Puno a Desaguadero de aro 16 não é apenas uma viagem física; é uma travessia espiritual pelo coração dos Andes. É sentir o peso da história inca, o sabor do peixe de água doce, a dureza do clima serrano e a hospitalidade de um povo que vive no limite do céu. A pequena bicicleta, com suas rodas que giram mais vezes para percorrer a mesma distância, acaba por ensinar que, no Altiplano, o tempo não é medido em quilômetros por hora, mas na profundidade de cada respiração e na clareza da luz que só existe acima dos 3.800 metros. Ao final, Desaguadero não é apenas uma fronteira política, mas o marco de que, com uma dobrável e disposição, o mundo é perfeitamente transponível, não importa quão alto ele esteja.


Mais uma etapa vencida de forma rápida e na verdade, apesar das fotos e registros... nem consigo tirar os pensamentos da esposa e da minha filha de 10 meses em casa... será que está tudo bem com elas... será que estão precisando de alguma coisa, apesar de ter deixado tudo preparado pra elas... será que precisam de mais grana... será que minha esposa está dormindo direito... eu não estou dormindo direito e voltarei pra casa cheio de olheiras, te garanto... 

Meu pai então se souber que estou fazendo um viagem dessas bem longas integrando ônibus + carona + bicicleta... nossa ele me daria um sermão de pelo menos 1 hora sem parar, mesmo eu sendo um homem feito com todos meus compromissos em dia... todos devem ter percebido que ando meio alterado no meu humor e não tenho conseguido me concentrar nos pequenos afazeres do dia-a-dia, tanto no trabalho como na vida pessoal...

É impressionante que uma pessoa pública notória quando aparece num programa nacional, na televisão ou rádio representando um marca praticando esportes radicais, volta ao mundo de barco, pulando de para-quedas e tudo mais que demonstra liberdade e saúde é extremamente admirável por todos... agora quando sai da ficção e se torna realidade com uma pessoa anônima como eu que trabalha o ano inteiro, e fica esperando as férias pra dar uma extravasada e realmente praticar a liberdade de forma saudável e segura com responsabilidade... ai fica todo mundo criticando e alertando que algo negativo pode acontecer...

Na moral... eu só tenho essa vida... uma única chance. Vou aproveitar a oportunidade com unhas e dentes...


Altimetria - Brasil > Bolívia > Peru > Chile (ida e volta)





ROTEIRO COMPLETO

BRASIL (SP)
* Santo André * São Caetano do Sul * São Paulo * Osasco * Barueri * Santana de Parnaíba * Pirapora do Bom Jesus * Cabreúva * Itu * Porto Feliz * Tietê * Laranjal Paulista * Conchas * Botucatu * São Manuel * Lençóis Paulista * Agudos * Bauru * Avaí * Pirajuí * Lins * Promissão * Penápolis * Birigui * Araçatuba * Guararapes *  Bento de Abreu * Valparaíso * Mirandópolis *
Guaraçaí * Andradina * Castilho *

BRASIL (MS)
* Três Lagoas * Água Clara * Ribas do Rio Pardo * Campo Verde * Campo Grande * Dois Irmãos do Buriti * Aquidauana * Miranda * Corumbá *

BOLÍVIA
* Puerto Quijarro * Puerto Suárez * El Carmen Rivero Torres * Santa Ana De Chiquitos * Roboré * San José de Chiquitos * Paílon * Puerto Pailas * Santa Cruz de la Sierra * La Guardia * El Torno * Jorochito * Samaipata * Mairana * Comarapa * Totora * Vacas * Arani * Punata * Sacaba * Cochabamba * Sipesipe * Morochata * Chulumani * Yanacachi * La Paz * Tihuanacu * Guaqui * 

PERU
* Desaguadero * 

CHILE
* Tripartito * 

PERU
* Desaguadero * 

BOLÍVIA
* Guaqui * Tihuanacu * La Paz * Yanacachi * Chulumani * Morochata * Sipesipe * Cochabamba * Sacaba * Punata * Arani * Vacas * Totora * Comarapa * Mairana * Samaipata * Jorochito * El Torno * La Guardia * Santa Cruz de la Sierra * Puerto Pailas * Paílon * San José de Chiquitos * Roboré * Santa Ana De Chiquitos * El Carmen Rivero Torres *  Puerto Suárez * Puerto Quijarro *

BRASIL (MS)
* Corumbá * Miranda * Aquidauana * Dois Irmãos do Buriti * Campo Grande * Campo Verde * Ribas do Rio Pardo * Água Clara * Três Lagoas *


BRASIL (SP)
* Castilho * Andradina * Guaraçaí * Mirandópolis * Valparaíso * Bento de Abreu * Guararapes * Araçatuba * Birigui * Penápolis * Promissão * Lins * Pirajuí * Avaí * Bauru * Agudos * Lençóis Pauslita * São Manuel * Botucatu * Conchas * Laranjal Paulista * Tietê * Porto Feliz * Itu * Cabreúva * Pirapora do Bom Jesus * Santana de Parnaíba * Barueri * Osasco * São Paulo * São Caetano do Sul * Santo André *



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